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MARILIA PÊRA, UVA E MAÇÃ

marilia-carmem

 

Sem saber de nada, acordei ontem pensando no talento, no brilho e na generosidade de Marília Pêra.

Lembrei que a conheci, já então famosérrima, Marilia, em 71, um mito do teatro e TV, numa fila de cinema. Era o badalado Cinema Um, na ( pasmem!) rua Prado Junior, no basfond de Copacabana. Naquela época a maioria dos cinemas davam pra rua. Era ao lançamento das copias restauradas do filme brasileiro ALÔ ALÔ CARNAVAL, da década de trinta, com Mario Reis e Carmen Miranda. Marilia brilhava numa noturna chamada Night and Day, vivendo Carmen Miranda.
Mas ali estava elegantemente vestida, mas natural como uma menina. Eu estava com o compositor parceiro Luis Antonio da Cássio, o ator Luis Fernando Guimarães e Roque Conceição, um amigo da turma. E nós de roupas coloridas dos anos 70. Muito brilho, aquelas coisas.

Aconteceu a seguinte cena: parou um ônibus lotado no engarrafamento e os passageiros, começaram a gritar: “ olha o Marilia Pera! Olha a Marilia!” Ela era um sucesso popular retumbante em alguma novela da Globo, talvez Bandeira Dois, não estou certo; mas os gritos dos passageiros começaram a constrange-la.

Nós então, que éramos atores e bem saidinhos, começamos a improvisar um número de teatro musical em torno Marilia,,,, com direito a grande final, com a seguinte letra improvisada: “quem fala é do Brasil…. do Brasil: oba!

Marilia não se fez de rogada , com a gente de “côro” improvisado, Marilia fez uma pose de vedete, em plena fila de cinema e foi ovacionada pelo ônibus, pela fila de cinema, pelas prostitutas do outra lado da rua. E depois do gran finale, ficamos tão encantados com ela que ninguém falou mais nada. Ficou por isso mesmo.
Mas, chegamos em casa e compusemos, em sua homenagem, a canção ALÔ ALÔ BRASIL, que abriria seu show 5 anos depois, em 76,  dirigida por Nelsinho Motta e com arranjos de Guto Graça Mello. Foi a primeira estrela a gravar essa musica. Quando rememorei essa estória para ela, La Pera me disse: “o teatro é uma grande brincadeira. Nos já estávamos brincando juntos desde àquela época.

Trabalhei com ela, musicalmente, varias vezes depois, mas o ápice foi no Lincoln Center, em Nova York, na comemoração de 40 anos da morte de Carmen Miranda. Nelson Motta ( o diretor) e os produtores convidaram alguns artistas brasileiros e eu fui como seu partner. O publico no jardim do Lincoln Center, cerca de 15 mil pessoas, segundo os organizadores urravam a cada entrada sua, vestida como a pequena notável.

Eu estava hoje sorrindo , com a xicara de café na mão, quando a lembrança do brilho de Marília foi interrompida pelo telefone tocando . A notícia chegava já na hora deu sair pra ir pro meu show de hoje. A grande Marília não estava mais entre nós. Recuso a acreditar. Não fui ao enterro, não só porque tinha show, mas porque, pra mim, Marilia está viva na minha vida para sempre. Como Dalva, como Chanel,  como Callas, como a prostituta de Central do Brasil, como a motorista de taxi de Bandeira Dois, da sua a atuação em o Rebu, ou como sua ultima personagem, em Pé na Cova, ou como Carmen Miranda ( esplêndida) ou brincando no meio da rua para nos rapazes, simples fãs, em plena década 70.
Não há gran finale. Apenas ela gritando: Oba!!!
A última lembrança: me vem Marilia fazendo a pequena notável no Império Serrano em 73: Nanine, Zeze Motta Wolf Maya, todos nós, cantando à sua volta: “que grilo é esse ? vamos embarcar nessa onda, é o Império Serrano é quem manda , dando uma de Carmen Miranda…
Pois agora, digo parafraseando o samba. —– Que grilo é esse ? Vamos saudar a maior brasileira! Do show bizz a estrela primeira, para sempre nossa linda Marilia Pera !!!!!
E todas as frutas do turbante de Carmen estejam em seus caminhos.
Marília Pera, uva e maça. E bananas! Bananas douradas de seu brilhante universo!
Salve Marília. SALVE !

Um beijo.. Dussek!

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